A antibailarina
A antibailarina
Por Astier Basílio
Publicado Jornal da Paraíba 13/11/2008
Um discurso de contextação traz aquilo que contesta. A peça “Anticlássico – Uma desconferência e o Enigma Vazio” finca-se por estes contrários, num jogo dialético que envolve humor, retórica e sobretudo um filtro de ironia a redimencionar o belo texto de autoria de Alessandra Colasanti, que também dirige-se e atua, dando vida à Bailarina de Vermelho. Ela divide a cena com um auxiliar, não impunemente chamado de Hamlet, interpretado por João velho. O espetáculo foi a grande atração de encerramento do festival de Artes de Areia.
O espetáculo foi encenado no auditório do colégio Santa Rita. Como não era um local apropriado plenamente houve prejuízos, o principal deles, o recuo da primeira fileira da platéia para o palco de aproximadamente quatro metros, o que ocasionou, literalmente, um distanciamento com a platéia.
O que “anti” clássico, traz, dialeticamente, o clássico em si; da mesma forma como uma “des” conferência é, sim, também uma conferência mesmo que, à primeira vista, nos cheguem os aspectos cômicos, o humor e o rir dos rigores acadêmicos, avacalhando com os ritos, desmistificando a aura. O figurino, como o próprio nome da personagem já revela, aponta para o aspecto corporal – intensificando desde a entrada em cena, com os exercícios feitos diante da platéia. Esta é uma das linhas cruzadas, senão a matriz, que “Anticlássico” prpõe a leveza de uma bailarina, inserida numa circunstância “séria” de uma conferência sobre arte, humor e reflexão; corpo e intelecto;piadas e citações.
A peça não só ri do beco sem saída dos referenciais teóricos, mas encarna, metaforicamente a encruzilhada do pós-moderno, desde a constituição da personagem, descolada de um quadro de Dégas, até o tom da encenação que mistura aula com stand-up comedy.
Divertido, inteligente. Um belo espetáculo. (Astier Basílio)










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